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1.
03:14
Ontem quis crescer, sentir-me bem maior. Sonho eterno e fácil de alcançar. Mas passo a passo vi como é bom caminhar. Como faço p’ra voltar atrás? P’ra mudar. Vou teimar, sempre fui assim. Dez mil dias para me ajudar.
2.
03:06
É mas foi-se. Cada dia num instante. Hoje voei por segundos. Nada me deu tanto gozo. É mas foi-se. Aprecia cada instante. Nada me atinge quando sonho que é possível. Nada me atinge porque o sonho é mais que a vida.
3.
03:50
Vá, desanda, nada até à bóia de salvação. Perde o pé e afoga-te no mar da estupidez. Quanto mais te afastas, mais eu vejo o teu valor aqui. Chega-te a arrogância p’ra mudares de poiso como o Gagarin. Zarpa, é um termo não cliché. Zarpa, é bom português. Luto até vencer a exaustão, julgo ter tempo p’ra morrer. E levo a peito aquela opinião que diz: “dormirás na cama que acabaste de fazer!”. Fui eu quem a fez? Se esta dor que sinto é pura ilusão, o sangue é mera invenção e as lágrimas que são? Foi tudo isto que eu pedi? Julgo que não. Tu quiseste ser um super herói e és um fraco.
4.
04:54
Tenho amigos de partida, sem regresso definido. Vejo-vos um dia, até um dia. Boa sorte no caminho e poucas nuvens no destino. Volta com um sorriso. Agora sabes o que é saudade. Tu foste longe, eu não consigo. Nunca foi esse o meu instinto. Tenho o que preciso, tudo o que preciso. Agora sabes o que é saudade. Escuta, guarda essas memórias, nada mais importa. Fico bem ao Sol. Se aqui for só mais um nada, sempre tenho a estrada. Fico bem ao Sol.
5.
04:08
Meu pai, o que há de bom em escapar de um ditador? Contas sempre a sorrir como foi fugir do teu país. Meu pai, o que há de bom em escapar de um ditador? Longe do teu país contas como foi sempre a sorrir. Já sei, resumo tudo à raiz. Já vi o sangue africano em ti.
6.
03:57
Se ao caminhar um dia tropecei, fui tão ingénuo quanto pude ser. Mas nunca rastejei nem tive nada dado. Dá-me gozo ver que atraio pouco p’ra mim. V de vencido pela vida e pela rotina. Se um sonho é um poder, nego a Lei de Murphy e leio Lavoisier. Se ao caminhar um dia tropecei, fui indeciso quanto pude ser. Mas nunca rastejei nem tive nada dado. Dá-me gozo ver que se hesitei, se me enganei, por mim esperei. Nunca quis mentir p’ra me tornar alguém que dá de caras consigo. Finge frente ao espelho e vive bem assim. Sim, tudo o que sonhei morreu. P’ronde vou agora já não sei. Nem sei como entender. Mas sei que tenho de esquecer que tudo o que sonhei morreu.
7.
03:09
Qual é o plano? É mostrar a todos quem eu sou. Meu caro sinto que és o gajo certo p’ra mostrar valor. Agora diz-me se essa tua confiança é um dom. É que o problema do idiota é julgar que nunca se enganou. Meu querido corre, vai p’ra longe e esconde-te. É que este Mundo tem tanto idiota e tanta gente já nem se importa. Porque este Mundo tem tanto idiota, do presidente ao papa poliglota. Mas se este Mundo tem tanto idiota, ninguém escapa!
8.
03:29
Amor, ainda agora pensei em ti. Guardei p’ra sempre aquele lugar hostil. Por nós o ódio é cego, é um fait accompli. Por mim, no chão pintava o teu corpo a giz. Se algum dia te encontrar, vais ver no tom da minha voz o que é azar. Eu nunca quis que me ajudassem, nunca quis ser integrado. Se algum dia te encontrar, vais ver no tom da minha voz o que é azar e o que te faria. Pois se esse dia, enfim, chegar guardo em suspenso aquilo que há p’ra confessar. E o que te faria guardo p'ra um dia confessar.
9.
Disse ele que a viu na janela ao cimo. Suspeitei pois tinha forte miopia. Longe do nariz nem a Ursa via. Perto do nariz tem um vulto que o espia. Disse sabe não estás só. Hoje há companhia. Suspeitei pois tinha a casa vazia. Não, não estamos sós. Vejo ao fundo a Luz. 33 crianças da Luisa de Jesus. Não a temas, só se fores pequena.

about

Músicas por Azevedo Silva e Filipe Magalhães (teclas, guitarra, percussão)
Produção e Masterização de Fernando Matias (The Pentagon A.M. Studios)

Foto capa: Sara Jane
Fotos promo: Cláudia Andrade

Design por Sara Jane (obrigado Raquel Silva e João Campos). Há uma edição física à venda (por encomenda ou nos concertos) que teria sido impossível concretizar sem a ajuda do Nuno Silva e da Papeloja.

Obrigado aos nossos amigos e família que nos acompanham nos bons momentos e nos mais estranhos também.

credits

released November 14, 2014

©Azevedo Silva, Filipe Magalhães

Créditos extra:
Fernando Matias
Music in my soul

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Azevedo Silva Lisboa, Portugal

Urbano, precário, melancólico, agitador, pós-laboral.

Sejam bem-vindos.

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